Crédito Consolidado
Jul 7th, 2008 | Por admin | Categoria: ArtigosSe tem um crédito habitação, um empréstimo para o carro e outro para os móveis, juntar os empréstimos num só permite aliviar o orçamento familiar, baixando o valor da prestação. Mas há que fazer as contas às penalizações por reembolso antecipado, comissões e seguros.
Os portugueses recorrem cada vez mais ao crédito e o peso das prestações da casa, do carro, do televisor e das férias sobrecarrega cada vez mais o orçamento. A isto, junta-se ainda o uso do cartão de crédito. Nalguns casos, a acumulação das dívidas torna-se incomportável, criando situações de sobre endividamento. Mas o cenário pode agravar-se se considerarmos a subida das taxas de juro ou a ocorrência de imprevistos, como o desemprego ou a doença de um membro activo do agregado.
A consolidação dos créditos pode ser uma solução para quem tem empréstimos acumulados. Tal como o nome indica, permite juntar num só crédito todos os montantes em dívida. Os empréstimos de curto prazo, como o do carro, são aglutinados num de maior duração, em geral no crédito à habitação. O objectivo é pagar só uma prestação, beneficiando-se, regra geral, de uma taxa de juro mais baixa. Deste modo, obtém-se uma prestação inferior ao conjunto das prestações iniciais. Mas, se a vantagem da consolidação é o ganho de liquidez, o grande inconveniente é o aumento dos juros a pagar.
Antes de consolidar, avalie as várias soluções. Para isso, compare a TAE (para o crédito à habitação) ou TAEG (para o crédito pessoal). Estas reflectem o custo total do crédito: taxa de juro e custos associados. Faça ainda valer a sua posição de cliente. O primeiro passo para baixar a prestação é negociar com o banco. Pode ainda conseguir a redução ou a isenção das comissões, por exemplo, por amortização antecipada dos créditos a juntar.
Crédito hipotecário
Para quem tem um crédito à habitação, a solução mais comum é usar este empréstimo para absorver os restantes (como o do carro). Para tal, o imóvel hipotecado serve de garantia para um empréstimo paralelo pelo valor dos restantes créditos. Mas o montante dos créditos a juntar não pode ultrapassar o valor da avaliação do imóvel ou o limite do crédito hipotecário permitido. Por exemplo, um consumidor com um imóvel avaliado em 150 mil euros e um empréstimo de 100 mil euros num banco que permite o crédito hipotecário até 90%, só pode consolidar créditos até 135 mil euros. Contudo, se possuir outro imóvel, também pode usá-lo como garantia, em alternativa ou complemento ao hipotecado.
Neste tipo de consolidação, a taxa de juro, a prestação e o prazo aproximam-se dos do crédito à habitação. Além das tradicionais despesas com a comissão de abertura, seguros e penalizações por amortização antecipada, acrescem ainda, no crédito hipotecário, as comissões de avaliação, a escritura e os registos.
Sem crédito hipotecário
Também é possível consolidar dívidas sem recorrer à hipoteca de um imóvel. As soluções são o crédito com penhor ou o pessoal. No primeiro, serve de garantia uma aplicação financeira (por exemplo, um depósito a prazo). No caso do segundo, trata-se de um crédito pessoal comum, onde é dada uma garantia pessoal (livrança).
No crédito com penhor, as taxas de juro nominais são mais elevadas (entre 4% e 9%) do que as dos créditos hipotecários (no mínimo 3,5%), mas mais baixas do que as dos créditos pessoais (no mínimo 8%). Os prazos e os limites são semelhantes aos dos créditos pessoais. Em qualquer opção, há custos associados: seguro de vida, comissões de abertura e penalizações por amortização antecipada.